Mudança de hospedagem

Olha, isso não é uma despedida, nem nada, então não é preciso todo aquele discurso de como foi a experiencîa e bla bla bla.

Apenas estou mudando de hospedeiro, do WordPress para o Blogger, e por entender que o WordPress tem suas limitações e já não vou mais me submeter a elas. Simplesmente isso.

O blog tem agora um novo hospedeiro e um novo endereço. Agora é : http://realidadeexperimental.blogspot.com

Bom, é só isso, nos vemos lá.
Abraços,
@Greg_Vancher

Pega o ladrão!

Alguém pegue o ladrão que roubou aquela pobre moça!

Ela estava distraidamente passeando na rua com seu cachorro de bolsa enquanto olhava as vitrines das lojas mais caras na rua. Havia, faz pouco tempo, desligado o celular após uma conversa agradável com sua amiga viajante pela Europa. Ainda estava com a mente na conversa quando o celular de última geração fora levado por um pivete qualquer. Coitada.

Alguém pegue o pivete que roubou aquela indefesa senhora!

Não queria saber. Só queria chegar na polícia e fazer o retrato falado do assaltante. Os faria procurar até no inferno para achar aquele meliante. Por mais um pagamento – por fora – faria até com que os policiais matassem o infeliz. Ninguém mandou mexer com a filha do mais novo governador daquele estado.

Alguém pegue aquele moleque! Ele roubou a moça!

Ele a conhecia muito bem. Fora ela mesmo quem prometera que seu pai – o candidato a governador – garantiria um emprego para aquele rapaz. Fora ela quem fizera ele acreditar nessa promessa e, por isso, comprar à longas prestações, a tão sonhada casa para sua futura família. Fora ela quem negara conhecê-lo assim que seu pai fora eleito. Fora ela quem provocara sua ruína, sujara seu nome, sua honra e suas atitudes. Agora ele, desempregado, desesperado e quase-pai de família, não tinha outra escolha senão tirar de quem o tirou tanto, o dinheiro para manter sua família enquanto não saíam da casa não-paga.

Alguém pegue esse safado!

Enquanto ele corria com lágrimas nos olhos por cometer tal ato – talvez pelo peso da culpa em seus ombros, ou pela dor de sujar sua honestidade – ela sorria pensando em como ele seria torturado e morto. Justiça e injustiça, retribuição e vingança.

Pega o ladrão!

Clara

(créditos da foto desconhecidos, imagem alterada por mim)


Clara era a menina escura
Que talvez por tal ironia burra
Este nome a mãe à Clara dera

Clara era uma menina pura
E por um ébrio pai abusada
Chorava, alma pura mantivera

Clara era uma menina cega
pois via em vender a sua bala
Confiança que sua mãe lhe dera

Clara é menina agora fria
E em seu peito, chama apagara
Por um disparo em sua favela

Finalmente, descansar Clara fora
Escura, pura, cega, fria. Livre?

Caçador

As luzes estroboscóbicas da boate criavam uma atmosfera por ele muito conhecida e, até certo ponto, esperada. Seus olhos procuravam em cada canto daquele lugar enquanto seu corpo se deliciava com as batidas daquela música absurdamente alta. Procurava apenas por diversão num lugar onde certamente encontraria entre uma dose ou outra de tequila que descia por sua garganta. Estava em seu habitat, seu abatedouro, seu parque de diversões, estava em casa.

Ao avistar o brilho daqueles olhos castanhos percorrendo seu corpo, aproximou-se. Falou-lhe algo aos ouvidos recebendo um sorriso como resposta. Nomes foram trocados, mas logo esquecidos – pois atrapalham, substantivam, transformam comuns em próprios, e isso ele não queria. Braços foram passados por uma cintura entregue, e bocas se conheceram misturando saliva, língua, tequila e volúpia. Mais vinte minutos de dança, mais cinco minutos de palavras aos ouvidos, mais dez de táxi até um quarto semi-luxuoso semi-decadente de motel.

Onde os chamados humanos – como ele – se despem de sua racinolidade e tornam-se animais: Sedentos, famintos, lascivos. Pôde saciar sua sede em cada parte do corpo de sua presa, saciar sua fome ao mordê-la suavemente, agarrá-la, apertá-la o quanto quis. Seu apetite se saciando e crescendo ao mesmo tempo a cada movimento, a cada enlace, encaixe, gemido, urro, suor. E era drenado tanto quanto drenara; língua passada por seu corpo, mãos direcionadas por outras, e mãos arranhando suas costas enquanto dois corpos uniam-se e desejavam-se. E conseguiram.

Duas horas mais tarde. Uma presa satisfeita – e abatida – dormia tranquila num quarto de motel enquanto ele, em seu carro, voltava para sua casa para continuar sua vida esquecendo-se completamente do que acontecera na noite anterior. Lembrava-se apenas do prazer obtido e da diversão que sempre haveria de ter. Apenas em como conseguia extrair o que quisesse sempre que quisesse de quem quisesse. E sair, depois de saciar-se, para voltar à sua vida, sua caça contínua. E somente pensar no dia de amanhã, e esperar a noite cair. Uma noite a mais, para uma diversão a mais, sempre.

As luzes estroboscóbicas da boate criavam uma atmosfera por ele muito conhecida e, até certo ponto, esperada. Seus olhos procuravam em cada canto daquele lugar enquanto seu corpo se deliciava com as batidas daquela música absurdamente alta. Procurava apenas por diversão num lugar onde certamente encontraria entre uma dose ou outra de tequila que descia por sua garganta. Estava em seu habitat, seu abatedouro, seu parque de diversões, estava em casa.

O ônibus

E o ônibus segue seu caminho pela avenida movimentada, na cidade fria de pessoas apressadas.

Cada novo passageiro é acolhido em pontos irregulares, mas contanto que o dinheiro movimente a roleta, não faz mal. Acomodam-se, e passam a observar a cidade fria através das janelas sujas de vidro. Alguns, além de atraídos pela paisagem externa ainda têm fones nos ouvidos, alienando-os completamente, presos, não somente naquele veículo, mas em um mundo próprio e individualista.

E o ônibus segue seu caminho pela avenida apressada, na cidade fria de pessoas movimentadas.

Poucos metros à frente, um outro ônibus é invadido por assaltantes. Todos os passageiros se preocupam, mas não em avisar as autoridades ou ligar para que alguém fique ciente. Sua preocupação é em esconder os próprios bens e agradecer o azar dos passageiros do ônibus invadido. Em suas preces, agradecem pelos ladrões terem roubado o ônibus da frente e esquecido o deles.

E o ônibus segue seu caminho pela avenida fria, na cidade apressada de pessoas movimentadas.

Em mais um certo ponto da avenida, existe uma aglomeração na pista. O ônibus é obrigado a esperar o trânsito melhorar para poder passar tranquilamente. Um acidente, um motoqueiro estendido ao chão sobre uma poça de seu próprio sangue. Tal imagem gera inquietação nos passageiros. Poucos ficam curiosos e querem ver a cena, apreciar a morte alheia. Muitos reclamam, culpam o motoqueiro por causar-lhes atraso de alguns minutos com sua morte. E ainda alguns poucos que não se pronunciaram, pensam na possibilidade do ônibus passar por cima de tudo que o impede de seguir para evitar-lhes o atraso.

E enfim, o transtorno é findado. E o corpo é recolhido. E a pista é liberada.

E o ônibus segue seu caminho pela avenida apressada, na cidade movimentada de pessoas frias.

A fase dos porquês

Quando somos crianças, nossos parentes facilmente conseguem apontar a nossa fase dos “poquês?”. É só escutarmos alguma afirmativa ou alguma explicação que o interrogatório começava logo.” Mas por quê? E por quê?”… Acontece que a vida passa e essa fase parece ultrapassada quando, na verdade, não o é.

Quem aqui não se pegou perguntando o motivo de não ter ganho uma nota boa na escola ou então, a razão daquele carinha que você estava afim não te dar bola, ou o porquê de sua nota do vestibular não ter sido suficiente, ou porquê de o seu chefe -aquele mala- nunca estar satisfeito por mais que você tenha plena certeza de dar até mais que cem por cento no trabalho?

O fato é que a única coisa que muda nessa fase dos porquês é o tipo de pergunta. Essas indagações sempre nos acompanharão e fazem até parte do nosso processo de auto-conhecimento e percepção – e compreensão – de mundo. O grande problema é quando a fase acaba dominando você e as perguntas falam mais que suas próprias atitudes.

Aí cabe a você parar um minutinho e pensar se vale mesmo a pena se indagar tanto e deixar de viver para procurar respostas. Pois uma coisa é procurar entender como algumas coisas funcionam pra você e outra completamente diferente é bancar o Sherlock com sua própria vida. Nem todas as perguntas foram feitas para serem respondidas (e tem outras que é bem melhor não saber a resposta) e, não cabe a você, meu caro, mudar isso.

Afinal, quando você estiver velhinho; vai parar, sentar um pouquinho, refletir, olhar pra sua trajetória nessa vida e somente uma pergunta deve ser respondida: Valeu a pena?

Monstro em sala

(foto: filme "O Monstro da Lagoa Negra" )

Estava em em meu estágio tomando conta de uma sala de alfabetização (1º ano primário) quando uma menininha puxou a barra da minha calça para me mostrar que o amigo dela estava chorando. Achando que era algo comum, que a criança estava com saudade dos pais, ou que alguma outra criança tivesse brigado com ele, fui tentar acalmar o menino e saber o motivo do choro.Para minha supresa, tal menino soluçante e aos prantos estava chorando pois a “tia” iria brigar com ele pois ele havia esquecido de fazer o dever de casa. Rapidamente ajudei o menino e voltei pro meu posto esperando a professora destes alunos chegar. Mas não pude parar de pensar em tal menino e no medo que ele tinha nos olhos por pensar na bronca que levaria da tal “tia”.

Esquecer de fazer o exercício pode até ser descuido, mas convenhamos, é uma criança! Cabe muito aos pais lembrar tal menino de fazer a lição ao invés de se divertir e brincar como toda criança quer e deve fazer. quem nunca esquceu-se de fazer a lição vez ou outra e que nem por isso deixou de ser um bom aluno, ou ao menos aprender alguma matéria? Minha preocupação se dá pelo desespero de tal criança ao pensar em ser repreendido severamente pela professora simplesmente por esquecer-se de realizar uma tarefa.

Se um menino começa a chorar copiosamente por um simples esquecimento, que tipo de ameaça ou repreensão tal menino já presenciou ou sofreu por parte desta professora? Que tipo de profissional de ensino transmite o conhecimento e impõe o respeito causando medo em criancinhas de 4 a 5 anos? Talvez tal professora esteja estressada, cansada e mal paga, mas será que, mesmo assim, isso compensa tratar crianças de uma forma ameaçadora a ponto de despertar o medo nelas até mesmo por antecipação? Não sei, mas acho que profissionais que se propõem a trabalhar com crianças devem ser ao menos engajados para tratar dos menores sem pressioná-los a tal ponto. É claro que devem cobrar deles resultados e cumprimento de tarefas mas, a ponto de deixá-los desesperados e ameaçados, acho que não.

Sei que pedir por profissionais calmos, receptivos e atenciosos no nosso país é muito difícil, pois a área do ensino é muito mal remunerada e carente de investimento (tanto no salário, quanto no treinamento/aprimoramento de seus profissionais). Mas mesmo assim, acho que deve vir da parte do próprio professor tentar melhorar e controlar uma turma incentivando-os (e não por ameaças ou pressão psicológica) e mostrando-os as vantagens de se alcançar metas no aprendizado. Não somente questioná-los a atingir certa nota, sem nem ao menos conscientizá-los da evolução em suas vidas que é alcançar tal objetivo.Principalmente nas primeiras séries, onde os alunos estão despreparados e desnorteados quanto ao porquê de terem que atingir tal nota.

Mais do que dizer “para passar de ano”, mostrar que, adquirir conhecimento, mais do que boas notas, é assegurar uma evolução pessoal que, se mostrada desde o começo, pode motivar os alunos a serem mais que Bs, Rs ou Is nos boletins. E mais do que pressionar, explicar ao aluno a importância, não do cumprimento de todas as tarefas mecanicamente, mas sim do exercício, treino e do aprendizado dos conteúdos apresentados.

E talvez assim, tenhamos menos alunos debulhados em lágrimas preocupados com a bronca da tia e mais alunos preocupados em aprender.